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Os produtores algarvios de mel, estão preocupados com os roubos, mas continuam renitentes em apresentar queixas à GNR. "Acham que é perder tempo", diz o presidente da Associação de Apicultores do Algarve (Melgarbe), Manuel Dias.
O incremento dos roubos, segundo Manuel Dias, coincide com o aumento de apicultores, através dos incentivos do programa de apoio financeiro ao desenvolvimento rural - Proder. O montante dos subsídios situa-se na casa dos 40 % do valor do projecto.
Porém, o auxílio à promoção da actividade só contempla aquisição de material. "E onde é que vão comprar as abelhas?", pergunta o veterano apicultor. Faz uma ressalva: "Não digo que sejam os novos apicultores que roubam as colmeias, até porque não têm experiência, mas haverá alguém que faz esse trabalho."
Dias defende uma alteração do Proder: "Se a aquisição de abelhas estivesse incluída pelo sistema incentivos, não se compravam enxames sem factura e o controlo seria mais eficaz." Nos últimos dois a três anos, a apicultura cresceu 30% a 40% no Algarve.
Os últimos dois meses têm sido difíceis para os apicultores. No sítio de Vale Judeu, um produtor artesanal viu desaparecer 40 enxames. No mesmo concelho, uma jovem apicultora, em início de actividade, ficou sem as cinco colmeias que possuía. Em Salir, na serra do Caldeirão, Alcino Martins perdeu 95 caixas.
Quando duas ou três caixas desaparecem, ou ficam vazias, isso não é coisa que preocupe os grandes ou médios produtores. "Sempre aconteceu", comenta José Chumbinho, também da associação. "Só que, nos últimos tempos, passou a falar-se em dezenas de unidades." Chumbinho, que é presidente da assembleia geral da Melgarbe, estima que "já terão sido roubadas umas 1500 colmeias" nos últimos meses. |